Portugal: como está o setor de Food Service e delivery

Portugal: como está o setor de Food Service e delivery

27 de abril de 2020

Fala, galera!

Em mais um dia de live em meu instagram  (@luizfelipecosta_oficial) recebi o amigo Marcelo Martins, brasileiro que empreende aqui em Portugal. Marcelo é sócio-fundador do Grupo Antas, dos restaurantes Churrasqueira da Estação, Churrasqueira das Antas e mais outros 5 restaurantes que operam em Porto.  Liderando uma equipe de mais de 150 pessoas e trabalhando nas operações de delivery e take-away, Marcelo falou sobre este universo da alimentação. Confira:

Fechamento das casas

Marcelo vinha operando os restaurantes normalmente no início de março. Embora já houvesse casos da Covid-19 em Portugal, não havia nenhuma orientação de fechamento de restaurantes. No domingo do dia 15/03 o restaurante recebeu 2 clientes e Marcelo percebeu que era hora de mudar. Os restaurantes, que possuem cerca de 200 lugares, fecharam as suas portas. Passaram a investir no delivery e na retirada dos pratos, o take-away, modelo já muito consolidado em toda a Europa. Enquanto no Brasil o delivery já “pegou” e só tende a crescer, em Portugal é um modelo que ainda está no início.

Apesar da paralisação, Marcelo acredita que não é hora de ficar parado. E a forma como está atuando nesse momento é porque pretende levar sua empresa muito além. Mas no início da crise, Marcelo conta que paralisaram mesmo. Ficaram uma semana parados sem saber o que fazer. Fizeram contas, avaliaram o cenário, e se preocuparam em como cuidar das pessoas e como retornar.

O Grupo Antas enxergou oportunidades mesmo no cenário desafiador que estamos vivendo. Dessa forma, tomou algumas ações de imediato. Entre elas, a redução das despesas, mais rapidez para entregar mais pratos, e otimização do cardápio.

Marcelo comemora a chance de poder entender e ouvir o cliente que pede para comer em casa. “Neste período, aprendemos que não podemos mais trabalhar como se o delivery e o take-away fossem parte da sala (salão, em Portugal). São modelos de negócio muito interessantes e que precisam de mais atenção. Precisam ser lidados como algo à parte”, concluiu Marcelo.

Delivery e take-away

Marcelo fala que hoje o negócio virou a chave para o delivery e take away. É época de transformação. Toda semana é feito um menu diferente, com rota de entrega diferente, novo prato. Tudo está sendo diferente. Quando implantaram o delivery no passado, não consideraram o delivery um negócio a parte. Cometeram erros na operação e poderia ter sido menos doloroso o processo se o delivery tivesse tido um olhar diferente.

Como o nosso objetivo é levar o Billy The Grill para Portugal, desde que me instalei por aqui tenho estudado esse mercado. Diariamente estudo sobre o comportamento do público, o comportamento dos restaurantes, e quais são as parcerias que valem a pena. Neste momento, os hábitos dos clientes já mudaram. Novas formas de fazer o negócio vão surgir nesse momento e a tecnologia vai ajudar muito. Vai ficar ainda mais comum o uso de QR Codes, o contactless delivery e meios de pagamento digital.

Em Portugal, ainda são poucos os restaurantes atendendo com delivery pela dificuldade da operação. É mais complexo porque não se pode errar no processo. É importante ajustar a embalagem, as receitas. Importante diferenciar-se da concorrência e entregar muito bem a comida.

No Brasil, nosso parceiro é o iFood, mas existem várias plataformas de delivery operando bem, em várias cidades. Em Portugal, apenas a Uber Eats e a Glovo operam, e com taxas muito altas para os restaurante. A ideia, portanto, seria uma plataforma de pedidos própria, como um site. Citamos o caso do Grupo Rão, que opera nos dois países e recebe cerca de 70% dos seus pedidos pelo site próprio. Não se pode depender totalmente dos apps. 

Falamos também sobre o que observamos nesse último mês de trabalho. Entendemos que é um momento difícil, mas visualizamos boas oportunidades para o futuro. Estamos enxergando novos modelos de negócio, novas formas de atrair e encantar os clientes. Nossos cardápios ficarão mais enxutos e a nossa comunicação será mais assertiva. Temos a certeza de que atendendo bem aos clientes no delivery, quando retomarmos o salão o cliente retorna satisfeito com as marcas.

As apresentações dos pratos também devem mudar, pois todas foram pensadas para a entrega imediata do balcão. Hoje, se queremos continuar crescendo no delivery e take-away, precisamos pensar em como o produto vai chegar, moldando as expectativas dos clientes para o que é real, e não uma projeção do balcão. 

Como não se tem uma data de fim da crise, a hora é de pensar no delivery como negócio principal, que precisa ser sustentável no curto e médio prazo. O negócio precisa se reinventar. Precisamos nos aprimorar nessa operação e continuar crescendo, revendo os custos de ocupação e outras despesas. Tentar melhorar os processos e tomar algumas ações para manter o negócio vivo. Trocamos várias ideias práticas para os restaurantes e levantamos insights.

Desenvolvemos um artigo com base nas principais ações que tomamos aqui no Grupo Alento no início da pandemia e que continuamos seguindo ao longo desse mês de abril. Se você ainda tem dúvidas sobre alguma área de gestão do seu negócio, recomendo a leitura clicando aqui.

Foi um bate-papo incrível e cheio de boas ideias para colocar em prática já. A gravação completa está no instagram do Grupo Alento: @grupoalento.

Luiz Felipe Costa

Luiz Felipe Costa

Luiz Felipe Costa é CEO do Grupo Alento, detentor das marcas Billy The Grill, Vizinhando e Naa! Sushi Bar, e também vice-presidente da ABF-Rio. Pretende ainda lançar novas marcas em 2020.

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